sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Auê Design - brinquedo para todos

"Nuvem Ana Nunes"...aparentemente, uma simples almofada, toyart, brinquedo! Porém, algo lúdico e inovador para crianças que utilizam cadeira de rodas...podendo ser adaptadas com suas "longas pernas" ao corpo!!! Projeto Auê Especial, acessibilidade...boneco universal, onde todas as crianças são iguais!!! Concurso Novos Talentos UVA/Barra da Tijuca/RJ‪#‎acessibilidade‬ ‪#‎agradecimentos‬ ‪#‎auedesign‬ ‪#‎sonho‬ ‪#‎produtos‬‪#‎projeto‬ ‪#‎aue‬ ‪#‎alegria‬ ‪#‎bagunça‬ ‪#‎toyart‬ ‪#‎luz‬ ‪#‎love‬ ‪#‎ludico‬‪#‎universidade‬ ‪#‎cor‬ ‪#‎tecidos‬ ‪#‎união‬ ‪#‎professor‬ ‪#‎criança‬ ‪#‎amor‬‪#‎orgulho‬ ‪#‎nuvem‬


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Who is perfect ?

Recebi esta mensagem.
Só conhecia as fotos. 
Um super trabalho !!!

Bastante inspirador para os projetos de vocês! http://www.youtube.com/watch?v=E8umFV69fNg&feature=youtu.be

Publicado em 02/12/2013
Disabled mannequins will be eliciting astonished looks from passers-by on Zurich's Bahnhofstrasse today. Between the perfect mannequins, there will be figures with scoliosis or brittle bone disease modelling the latest fashions. One will have shortened limbs; the other a malformed spine. The campaign has been devised for the International Day of Persons with Disabilities by Pro Infirmis, an organisation for the disabled. Entitled "Because who is perfect? Get closer.", it is designed to provoke reflection on the acceptance of people with disabilities. Director Alain Gsponer has captured the campaign as a short film.
The figures are life-sized, three-dimensional representations of Miss Handicap 2010, Jasmin Rechsteiner, radio presenter and film critic Alex Oberholzer, track and field athlete Urs Kolly, blogger Nadja Schmid and actor Erwin Aljukic.
"We often go chasing after ideals instead of accepting life in all its diversity. Pro Infirmis strives especially for the acceptance of disability and the inclusion of people with disabilities," says Mark Zumbühl, a member of the Pro Infirmis Executive Board, in describing the campaign.


Programa ANA MARIA BRAGA, setembro/2009

Encontrei estas anotações.
Considerei importante compartilha-las.

Entrevista com o casal: Marise Calazans e Teodomiro Schramm

Marise e Teodomiro se conheceram numa sala de bate papo via celular.
Em determinado ponto da conversa Marise contou que possuía 1.15m de altura (portadora de nanismo). Naquele momento Marise achou que havia “espantado” o candidato mas não, ele saiu de sua cidade Alagoinhas (90 km de Salvador) e foi conhece-la pessoalmente.
Qual a surpresa de Marise quando deparou com rapaz de 1.75m ! A família de Marise tem estatura normal (sem histórico de nanismo na família): os pais e as 5 irmãs, somente ela nasceu com a mutação genética, e segundo a própria, sempre foi muito protegida pelo pai, que inclusive criou obstáculos em relação a Teodomiro. O rapaz teve que de certa forma provar suas boas e sérias intenções.
Foram 8 meses de namoro até o casamento. 
Marise havia superado muitos preconceitos ao longo dos seus 32 anos (até conhecer Teodomiro), período em que nunca namorou (e achava que jamais encontraria um companheiro). Com sua perseverânça se tornou bancária e possui emprego que gosta muito: os colegas de trabalho entendem suas limitações e ela aprendeu a conviver com as limitações das pessoas.
No dia 18 de janeiro de 2007 eles se casaram.
Para uma boa convivência várias adaptações tiveram que ser feitas na casa: interruptores e porta chaves ficaram numa altura acessível para Marise; no banheiro as prateleiras baixas pertencem a Marise enquanto as altas a Teodomiro; na cozinha encontram-se (a meu ver) os maiores obstáculos – utilizar uma escadinha para alcançar a bancada da pia não é o modo mais adequado de utilização deste espaço por pessoa portadora de nanismo, pois os riscos de queda são evidentes.

Superados preconceitos (total ou parcial/mente) o casal tem mais um sonho, ter um filho. Não existe problema clínico aparente (segundo o médico especialista em reprodução assistida), mas a criança tem 50% de chances de nascer com nanismo. Mais preconceitos e alguns medos por parte do casal. Mas é possível através da reprodução assistida ter um filho com estatura normal, com fertilização “in vitro” e seleção de embrião sem o gen do nanismo. Atenção: é um tratamento caro ! São possibilidades da medicina.

Minha observação:  Esta casa é uma casa onde é preciso pensar num “desenho universal”: Pessoas com estaturas diferentes, com necessidades especificas devem conviver bem no mesmo espaço, neste mesmo lar !

anotações feitas por Lourdes Luz

Roupas sob medida - with english version



Este trabalho da Luana e a Sweet Angel ainda vão dar MUITO o que falar
ACOMPANHEM !


Matéria online - COMPLETA:

Design Rio
Paula Autran e Simone Candida granderio@oglobo.com.br

Roupas sob medida contra o preconceito

Luana Cavalcante tem problemas de locomoção por falta de oxigenação no cérebro durante o parto, há 20 anos. Mas começa a andar com as próprias pernas na vida profissional com um projeto que pode levá-la longe. Aluna do sexto período do curso de design de moda da Universidade Veiga de Almeida (UVA), há um ano ela começou a desenvolver roupas sob medida para pessoas com deficiências.


Luana: moda para deficientes Foto: Agência O Globo

Luana: moda para deficientesAGÊNCIA O GLOBO
A ideia é desenhar modelos de acordo com a limitação de cada um. A começar dela mesma, cadeirante, que tem dificuldade para vestir determinadas peças por causa de movimentos que não faz ou faz com dificuldade e ajuda de alguém. Ela cria shorts, vestidos, macacões e camisas com fechos em velcro para facilitar a vida de que vai colocá-las ou tirá-las. Luana ainda não se formou, mas já é designer da chamada moda inclusiva.
- Sempre tive essa ideia, mas a faculdade aprimorou meu conhecimento para poder desenvolvê-la. Fiz as primeiras peças para mim mesma no início do ano passado. E pensei que outras pessoas poderiam se beneficiar. Tem muito a ver com autoestima. Eu me senti mais humana, mais ambientada, quando passei a usá-las. Tudo que é para deficientes é como um saco, não tem estilo algum. Então, aliei praticidade e estilo. Por enquanto, faço mais “remodelos“, em cima de modelos das roupas que eu já tinha. Mas estou começando a desenhar modelagens. Ando pensando em colocar mangas retráteis em algumas peças. Mas ainda tenho que estudar muito de modelagem e ergonomia, sobre motricidade - diz a menina, que já tem logomarca para a Sweet Angels, que criou para um trabalho da aula de Marketing e registrou no Instituto Nacional de Produtos Industriais (INPI). - A inovação só vem de uma necessidade. Eu hoje tenho minha mãe para me ajudar, mas como vai ser no futuro? Sempre tive dificuldades para me vestir. Os movimentos são complicados. Se tinha uma festa para ir, começava a me arrumar duas horas antes. Decidi que ia resolver este problema. Comecei a estudar como eram meus movimentos, quais eram minhas limitações. Para vestir um short, por exemplo, era super complicado. Ai veio a ideia de fazer o fecho lateral, em velcro. Com ele, faço apenas um movimento, o de me levantar, para me vestir. Uma roupa como essa me dá mais independência.
Filha única, Luana nasceu prematura de 31 semanas, de parto natural. Tinha 1,1 Kg, e caiu para 900 gramas. Com o apoio dos pais - um policial militar e uma ex-funcionária do departamento pessoal de uma empresa de ônibus que largou tudo e ficou fazendo massas em casa, para vender, a fim de cuidar da filha -, cresceu e se desenvolveu. Desde pequena, fez tratamentos como equoterapia (com cavalos) e fisioterapia. Eles sonhavam vê-la tornar-se advogada. E ela até passou, pelo Enem, para Direito na Uerj e Letras na UFF. Mas o sonho de trabalhar com moda falou mais alto, e a menina foi com sua bicicletinha motorizada atrás dele. Sempre acompanhada da mãe, Glória, que de tanto acompanhá-la às aulas, chegou a ser convidada a fazer um curso também:
- Moramos em Rocha Miranda, e o campus é na Barra. Eu a levo de carro e fico esperando para voltarmos juntas. Até já me ofereceram a oportunidade de estudar lá. Penso em aceitar, pois gostaria de estudar Psicologia, e acho que levo jeito - anima-se ela, que no momento pensa em aprender a costurar para ampliar a parceria com a filha. - Sempre imaginei que minha filha conseguiria realizar seus sonhos. Nunca pensei em nada menos do que isso para ela. Eu sei o potencial que ela tem. Criei a Luana normalmente. Ela sempre foi muito vaidosa e boa aluna, nunca me deu dor de cabeça.
Na faculdade, Luana passou a integrar o núcleo de pesquisa Vida Sem Barreiras, criado há cerca de sete anos por um grupo de professores interessado em pesquisar temas como relação de idosos e anões com os espaços físicos. Eles contam com a participação de alunos como Luana, e produzem um blog para registrar trabalhos e experiências.
- Pesquisa daqui, pesquisa dali, vimos que os anões também precisavam de roupas especiais. Ai começamos a pensar em moda inclusiva. E veio a Luana com o projeto dela, que abraçamos na nossa pesquisa. Damos um suporte para o trabalho dela e, ao mesmo tempo, é como se ele fosse um laboratório nosso - explica Lourdes Luz, coordenadora da Escola de Design da UVA, que participou recentemente do Encontro Latino de Moda da Universidade de Palermo e apresentou o projeto lá. - Também estamos trabalhando com daltônicos (para ensinar uma nova linguagem de cores para eles). Um parceiro trouxe esta ideia para nós numa palestra. E alunos de design gráfico fizeram uma vinheta para eles.
Segundo Lourdes, esse tipo de trabalho de design - que passa pela arquitetura, pelo urbanismo - vem crescendo.
- São Paulo tem bons trabalhos nessa área. Os Estados Unidos também têm casos interessantes de design de produto. Na moda, é mais recente. Tem muita gente pesquisando, mas já vendendo, como a Luana, não sei... Ela trabalha por uma causa dela. Já nós não trabalhamos por uma causa particularmente nossa, mas que é nossa como cidadãos. Temos responsabilidade social como designers - diz ela, que prefere não classificar esse tipo de trabalho como sendo de design social. - Não sei se o termo social é adequado. Prefiro o design universal, que é um design para todos.
Não por acaso, a marca da Sweet Angels é o símbolo internacional da inclusão vestindo uma das roupas de Luana, com velcro do lado direito. O personagem é um anjinho de uma asa só, deficiente. E tem uma auréola pontilhada, para lembrar a costura. E também está em camisetas om frases criativas e contra o preconceito (com frases como " A beleza está nos olhos de quem vê... e nos de quem não vê também" e “E para o seu preconceito eu mando um beijo”), também criadas pela jovem designer, que produz tudo nos tamanhos P, M, G, a preços que variam de R$ 49 (short) a R$ 89 (macacão e vestido). A atual coleção é inspirada no Egito,e tem estampas de gatos, camelos, figuras humanas de perfil...
- Até agora, fiz tudo baseado nas minhas próprias dificuldades. Mas pretendo atender meus clientes particularmente. Quero vender minhas roupas numa loja de departamentos (a C&A pode ter um estande meu, por exemplo) e ter uma loja de e-commerce. Sonhar é comigo mesma. Quem sabe?


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/roupas-sob-medida-contra-preconceito-11135194#ixzz2oKLu5mRa 
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ABSTRACT in english

Clothes against prejudice

Luana Cavalcante has mobility problems due to lack of oxygenation in the brain during her birth. Nowadays, at her 20´s, she studies Fashion Design in Veiga de Almeida U.(UVA).
Last year she had a good idea: design clothes according to each limitation. She creates shorts, dresses, overalls and shirts with Velcro closure for an easier way to dress.

“I've always had this idea, but the college has enhanced my knowledge in order to develop it. The first pieces I made to myself early last year. And I thought that others might benefit of it. I felt more human, more acclimated when I started wearing them, even my self-esteem improved.”

Luana became part of the core research “Life Without Barriers”, created seven years ago by a group of teachers interested in researching topics such as older people and dwarfs compared with the physical spaces. They rely on the participation of students as Luana, and produce a blog to record work and experiences.

According to Lourdes Luz, “search here and there, we saw that the dwarves also needed special clothes. We started thinking about inclusive fashion. Luana came with her ​​project, and we embrace in our research. We give support for her work and at the same time, she serves as a lab for ours - explains Lourdes - coordinator of the School of Design at Veiga de Almeida U., who recently attended Latino Fashion Meeting of the University of Palermo and presented the project there. - We are also working with colorblind, to teach a new language of color for them. A partner brought this idea to us, and students of graphic design made a project”

Not coincidentally, “Sweet Angels” (the brand Luana create) is the international symbol of inclusion. The character is an angel of only one wing. Luana creates t-shirts with phrases against prejudice (like " Beauty is in the eye of the beholder ... and who also do not see " and " And your bias I send a kiss " ).


Luana: “Until now, I did everything based on my own difficulties. But I intend to serve my clients in particular. I want to sell my clothes in a department store and have an e-commerce. It is important to dream. Who knows?”

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Manequins Adaptados



Who is perfect ????
Um ótimo projeto para ser posto em prática

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aulas de Solidariedade



SEM BARREIRAS - Canadense dá aulas a moradores de rua da Lapa

domingo, 24 de novembro de 2013

Arquiteto no Morro, no 4

https://www.youtube.com/watch?v=bWSffnFkkuw

Esta entrevista faz parte de um projeto da jornalista Andrea Magalhães e Daniel De Pla
Foi muito bom. Obrigada Nil, por abrir sua casa para nós (o video é grandinho ...) mas vale a pena conferir !

Ateliê Gaia


    Está localizado na Colònia Juliano Moreira
    Para saber mais acesse o link:
    http://www.youtube.com/watch?v=7IhUU03MRpg&feature=share



Espaço Público para Todos. Aplicação dos princípios da acessibilidade plena em áreas históricas e em áreas consolidadas

Dissertação de mestrado
Universidade do Porto - Faculdade de Engenharia
Isabel Maria F. Pereira Caldeira  


RESUMO 


O estudo desenvolvido procura tecer algumas considerações sobre a promoção da acessibilidade plena nos espaços públicos, tendo em conta a diversidade humana, a inclusão social e a igualdade. Para além de um imperativo de cidadania, a acessibilidade plena é também uma oportunidade para inovar, promover a qualidade e vida, a sustentabilidade e a competitividade. 

Aceitar esta realidade obriga a considerar alterações no modo de conceber os espaços, apontando para propostas projectuais mais responsáveis, traduzido num desenho de compromisso que responda à satisfação da totalidade das necessidades dos utilizadores do espaço público das áreas históricas e das áreas consolidadas da cidade, independentemente das suas capacidades ou incapacidades. 

Projectar espaços cada vez mais abrangentes e menos restritivos é uma tendência mundial e 
irreversível e o Desenho para Todos é o novo paradigma do desenho do espaço público. Desenvolver esta nova cultura do Desenho para Todos deve ser o principal objectivo para alcançar a acessibilidade plena e a melhor estratégia para garantir a igualdade efectiva de oportunidades. O carácter ambicioso e amplo deste novo paradigma pode definir um caminho para que as políticas de promoção de acessibilidade tenham continuidade ao longo do tempo e superem muitos dos desafios que impedem de se conseguir a igualdade de oportunidades e uma melhor qualidade de vida para todos. 

Na consciência de que todos têm direito à cidade, é necessário destacar a importância que desempenha a Administração Local como figura responsável pelo desenho e pela gestão do espaço público. É necessário evoluir para autenticas políticas transversais sobre acessibilidade, isto é, para políticas que abordem de forma integrada a diversidade e a complexidade dos requisitos da acessibilidade e que combatam, não só as barreiras criadas no meio urbano, mas também as causas e os componentes sistémicos e estruturais que as geram. Na concepção dos diversos planos municipais são necessárias visões integrais e planeamentos estratégicos que tenham em conta a longo, médio e curto prazo distintos âmbitos e níveis de actuação, critérios de oportunidade para as actuações, envolvendo e coordenando as actuações dos diversos agentes públicos e privados que intervêm na cidade. 

PALAVRAS-CHAVE: ACESSIBILIDADE, DESENHO URBANO, DESENHO PARA TODOS, ESPAÇO PÚBLICO, ESPAÇO URBANO, GESTÃO MUNICIPAL 

O design do corpo

Quando iniciamos nossa pesquisa com os portadores de nanismo verificamos que uma das questões relevantes no sentido da autoestima estava a sua aparência. Como ser adulto naquele corpo pequeno e muitas vezes com a vestimenta inadequada uma vez que adquirida em lojas infantis? E esta conversa permeava com muito mais frequência o universo feminino. (fig. 1)

  
A roupa (Saltzman, 2008:305) é um elemento de intervenção sobre a morfologia do corpo do usuário e o design(er) deve prever que o resultado terminará criando uma nova condição onde este design existe e se expressa, como um modo de adaptação ao meio social em que está inserido. No momento em que o objeto de estudo são os portadores de nanismos, entendemos que a produção de roupas em larga escala por um lado se depararia com uma demanda relativamente pequena se considerarmos a quantidade de mulheres pertencentes a este grupo além do poder aquisitivo das mesmas, por outro lado se pensarmos como um nicho de mercado verificaremos que a roupa como um produto de design tem um papel importante de inclusão destas portadoras que querem ter além do sentimento de pertença ou, num linguajar mais popular, querem “estar na moda”.

Se a roupa na sua relação com o corpo deve ser entendida como medida de conforto para o usuário, não é compatível com uma mulher de 20, 30 ou 40 anos usar roupas infantis. Conforme coloca Martins (2009), as equipes de criação devem estar comprometidas em libertar o corpo de suas limitações. É fundamental gerenciar a aparência.

O corpo (Saltzman, 2008) adota diversas estratégias no campo da indumentária e cremos que o tecido seja a matéria prima a partir da qual se modifica a superfície do corpo que neste caso está bastante distante de padrões pré-estabelecidos, como se fosse uma nova epiderme. Se existem recursos que permitem criar um movimento de expansão nos tecidos que aumentam sua elasticidade, de modo que a peça de roupa se ajuste em corpos de diferentes tamanhos, silhuetas e idades, é talvez aí que se encontre uma primeira resposta para vestir, cobrir, inserir estas portadoras de nanismo e não necessariamente no molde ou no corte. Como coloca Suzana Barreto Martins (2008:323) “vestir e desvestir são ações relacionadas, a priori, com a facilidade de manejo, combinada com o índice ergonômico físico que avalia aspectos anatômicos, antropométricos e biomecânicos”. (fig.2)
  
Ainda não fizemos pesquisa de campo ampla para tentarmos pensar numa modelagem para as portadoras de nanismo e considera-se que, diante da diversidade de alturas, formas e características dos anões, essa deva ser uma tarefa complexa e que demande tempo de pesquisa. Espera-se que a partir de alguns estudos de caso possamos em uma etapa futura da pesquisa estabelecer diretrizes que objetivam não só uma produção numa escala ampliada das roupas como partir para estudo mais focado na modelagem e na relação do design e o corpo dos portadores de nanismo.

Estudo de caso


No estudo de caso contamos com a colaboração de Laura Marques, portadora de nanismo residente em Teresina – PI. Laura possui grande dificuldade para adquirir roupas que se adequem ao seu biótipo, restando como alternativas alguns modelos infantis, ajustes em modelos adultos ou peças sob medida. Foi feito um levantamento inicial de medidas de Laura, a saber: busto, altura do busto, separação de busto, cintura, quadril, centro costas, altura de perna e altura de braço. (fig.3)


A modelagem para portadores de nanismo apresenta algumas dificuldades, destacando-se a desproporção entre o tronco e membros. Para o desenvolvimento da peça foi necessária a aplicação de dois métodos distintos: a construção de bases do corpo a partir do método MIB (Modelagem Industrial Brasileira) adaptadas a uma nova escala e as medidas de Laura, aliada ao método denominado Moulage ou Drapping, que consiste em desenvolver peças diretamente sobre o corpo da cliente, ou nesse caso, sobre um manequim com biótipo semelhante. Foram desenvolvidas duas peças, uma túnica em mousseline e uma calça legging em malha com elastano. Embora sejam peças simples, as bases servirão para que no futuro sejam desenvolvidas outras peças dentro da mesma estrutura, com detalhamento diferente.
  
Com base nesse primeiro estudo de caso pretende-se compreender melhor as dificuldades da modelagem para portadores de nanismo. Neste caso optou-se por modelagem  ampla para favorecer os movimentos. Decote canoa e mangas que caem em cascata de godê trouxe leveza e à peça. Como complemento, a produção de uma legging, em malha leve de algodão com elastano.

Atualmente existem muitos tecidos desenvolvidos para várias aplicações, e a roupa deve atender a algumas demandas dentre elas a usabilidade e o conforto. Segundo Martins (2009) nem sempre os novos produtos de moda atendem a peculiaridades físicas de seus usuários (podemos citar os obesos, idosos, portadores de necessidades especiais...) e problemas são evidentes nesses segmentos. Devemos portanto estabelecer ou compreender as propriedades ergonômicas e os princípios de usabilidade como variáveis norteadores para pensar a roupa inclusive com mais qualidade.

O objetivo do estudo aqui apresentado não é criar uma coleção específica ou modelos para uma pessoa. Com a expansão da pesquisa pretende-se que sejam feitos outros estudos de caso, para que com a diversidade de biótipos existente, sejam criadas diretrizes projetuais para serem aplicadas a modelagem para portadores de nanismo.

Algumas dessas diretrizes já puderam ser identificadas no que se refere ao alongamento da silhueta, conforme observações do professor Roberto Abreu:
- produções monocromáticas criam uma linha horizontal no visual;
- coordenar as peças sempre com base em um mesmo tom (claro ou escuro), assim, não são criados cortes bruscos que achatam a silhueta;
- “não” para babados, laços ou figuras infantilizadas, para não passar uma impressão errada com a produção;
- boa opção são roupas que chamam a atenção para os ombros e o colo, assim desvia-se o olhar do restante do corpo e da altura;
- os comprimentos menores, criam uma aparência longilínea, assim shorts e saias curtos e minis são uma boa pedida;
- o segredo está em quanto o sapato esconde os pés: quanto mais alta for a gáspea (parte da frente que cobre os dedos) do calçado, mais baixa fica a aparência. Nesse caso tênis, botas e oxfords não são aconselhados;
- na hora de dar o toque final ao look com os acessórios, deve-se tomar cuidado: tudo aquilo que é grande para as mais altas ficará ainda maior, achatando a silhueta.

Vale ressaltar que a roupa é uma forma de comunicação onde se compartilham valores, ideais e estilos. O processo é transformar o individual e utilitário no coletivo (Miranda: 2008,15). Esquemas simbólicos se misturam as necessidades propriamente ditas. Como fazer esta leitura com as portadoras de nanismo posto que estes símbolos ficam aquém daquilo que elas efetivamente podem adquirir?


Ilustrações
                            figura 1: autoestima x aparência: como ser adulto num corpo pequeno


figura 2: Diversidade de corpos do homem considerado “normal”

 


 figura.3: Laura Marques, 96cm de altura


                                            figura 4: Peças desenvolvidas para Laura Marques


Referências Bibliográficas


ABNT 9050: 2004 – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos
Alonso Lópes, Fernando. Accesibilidad en las viviendas: síndromes y remedios. Boletin CEAPAT, n.27, Madrid, 1999, p. 3.
Barros, Cybele. A casa segura. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 1999.
Cervan, M; et al. Estudo comparativo do nível da qualidade de vida entre sujeitos aconplásticos e não aconplásticos. [s.l.]: J Bras Psiqu, 2008.
Davis, Gary. About: ergonomics. Disponível em: http://www.designcouncil.org.uk. Acessado em: abr. 2005.
Hartje, Sandra. An incentive program for Universal Design in single-family housing using LEED as a model. ICADI International Conference on Aging, Disability and Independence. Disponível em: http://icadi.phhp.ufl.edu/2003/presentation.php?PresID=129. Acessado em: jun. 2005.
Iida, Itiro. Ergonomia, projeto e produção. São Paulo: Edgard Blucher, 1990.
Martins, Suzana Barreto. In dObras v.3, n.7, out. 2009, p. 84-87.
Miranda, Ana Paula de. Consumo de moda. A relação pessoa-objeto. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008.
Mistura, G. L'abito mutante. Milão: Modo, 1999.
Pires, Dorotéia Baduy Pires (org). Design de moda: olhares diversos. Barueri/SP: Estação das Letras e Cores, 2008.
Moraes, Anamaria; Mont’Alvão, Cláudia. Ergonomia: conceitos e aplicações. Rio de Janeiro: 2AB, 1998.
Rybczynski, Witold. Casa: pequena história de uma idéia. Rio de Janeiro: Record, 2002.

Schilder, Paul. A imagem do corpo: as energias construtivas da psique. São Paulo: Martins Fontes, 1980.

autores: Lourdes Luz e Nara Iwata

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

NÚCLEO DE PESQUISA “VIDA SEM BARREIRAS” - UMA EXPERIÊNCIA COM O DESIGN DE MODA


Iniciamos a pesquisa de forma interdisciplinar com os portadores de nanismo. Verificamos que uma das questões relevantes no sentido da autoestima estava a aparência. Como ser adulto naquele corpo pequeno e muitas vezes com a vestimenta inadequada uma vez que adquirida em lojas infantis?

A roupa é um elemento de intervenção sobre a morfologia do corpo do usuário e o design(er) deve prever que o resultado terminará criando uma nova condição, um modo de adaptação ao meio social em que está inserido. No momento em que o objeto de estudo são os portadores de nanismos, entendemos que a produção de roupas em larga escala por um lado se depararia com uma demanda relativamente pequena se considerarmos a quantidade de mulheres pertencentes a este grupo além do poder aquisitivo das mesmas, por outro lado se pensarmos como um nicho de mercado verificaremos que a roupa como um produto de design tem um papel importante de inclusão destas portadoras que querem ter além do sentimento de pertença ou, num linguajar mais popular, querem “estar na moda”.


O corpo adota diversas estratégias no campo da indumentária e cremos que o tecido seja a matéria prima a partir da qual se modifica a superfície do corpo que neste caso está bastante distante de padrões pré-estabelecidos, como se fosse uma nova epiderme. Se existem recursos que permitem criar um movimento de expansão nos tecidos que aumentam sua elasticidade, de modo que a peça de roupa se ajuste em corpos de diferentes tamanhos, silhuetas e idades, é talvez aí que se encontre uma primeira resposta para vestir, cobrir, inserir estas portadoras de nanismo e não necessariamente no molde ou no corte.“Vestir e desvestir são ações relacionadas com a facilidade de manejo, combinada com o índice ergonômico físico que avalia aspectos anatômicos, antropométricos e biomecânicos”. 





texto: Lourdes Luz e Nara Iwata

Um Conto de Fadas Conhecido

Apesar da história de Brenda Costa ou a Sra Al-Fayed ser conhecida creio ser importante registrar não somente um caso de superação mas principalmente a importância dos afetos nesse processo.
Brenda é linda mas nasceu surda porém nunca gostou de se comunicar pela linguagem dos sinais. Aprendeu a falar,  virou expert em leitura labial e ganhou o mundo como modelo. Mas também sofreu preconceito e foi humilhada – desprezo e impaciência - por sua condição física.

Hoje casada com Karim Al-Fayed (também deficiente auditivo), Brenda superou as inseguranças e se acostumou a viver dentro de suas limitações. Vez por outra dizem a ela que é fácil ser aceita com o dinheiro que tem. Como coloca muito bem, o dinheiro a ajudou imensamente mas sua Mãe foi figura fundamental posto que foi sempre sua voz e um pedaço dela.


fonte: Glamour, nov 2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Vaidade na 3a Idade



Não é propaganda é só uma constatação !

domingo, 11 de agosto de 2013

Gigantes da Superação


fonte: Veja São Paulo, 22/julho/2013 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

Jovem com síndrome de Down escolhe ser artista plástico para fugir do preconceito

                 
Brasília - As pessoas, o que elas vestem, os artistas da TV, a música e as cores do mundo inspiram o artista plástico Lúcio Piantino. Ele tem 17 anos e aos 13 pintou O Verdadeiro Amor, seu primeiro quadro. A arte acompanhou Lúcio desde sempre. Filho e neto de artistas plásticos, cresceu entre telas, tintas, pincéis e esquadros. Mas ele só tomou a decisão de pintar depois que resolveu deixar a escola, cansado de sofrer com o preconceito por ter síndrome de Down.


Jovem com Down quebra barreiras e se torna pintor profissional4 fotos

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Com quatro anos de carreira, o artista plástico Lúcio Piantino, 17 anos, já fez seis exposições individuais e acabou de fechar um contrato com uma empresa americana, que vai replicar suas obras e vender no exterior Leia mais Marcello Casal Jr/ABr

Graças à batalha da mãe de Lúcio, Lurdinha Danezy, de 54 anos, e à quebra de barreiras, hoje o artista está com sua vida profissional estabilizada e começa a levar seu trabalho para o exterior. Em média, uma obra do pintor está avaliada em R$ 1 mil, o metro quadrado. A vida do garoto também virou um documentário, lançado este mês em Brasília: De Arteiro a Artista, conta a saga de Lúcio Piantino.

Depois daquele primeiro quadro, vieram muitos outros. Com quatro anos de carreira, Lúcio Piantino já fez seis exposições individuais e acabou de fechar um contrato com uma empresa americana, que vai replicar suas obras e vender no exterior. Mesmo sem ter se inspirado em grandes artistas, especialistas em arte dizem que a obra de Lúcio lembra os traços do norte americano Jackson Pollock, dos espanhóis Antoni Tápies e Pablo Picasso e do brasileiro Amilcar de Castro.

Garoto de sorriso fácil, ele cria suas obras ouvindo funk, axé, hip-hop. Disse que gosta de homenagear as pessoas com seus quadros. "Eu vejo a cor da pele, a cor da boca, a cor da calça e jogo aquelas cores nos meus quadros. É uma homenagem abstrata". E a arte, hoje é a vida de Lúcio, o carinho que ele tem pelos seus quadros é um amor familiar. "Meus quadros são meus filhos, e as tintas são o alimento que dou para eles".

O desenvolvimento de Lúcio como artista só foi possível por causa do esforço de sua mãe, que abriu mão da carreira de professora e do concurso público no qual tinha sido aprovada, para dar a atenção que o filho precisava. Desde a gravidez, Lurdinha evitava os médicos que diziam que seu filho seria deficiente.

Para ela, é o mundo que faz com que a pessoa se torne deficiente "Acredito muito que a pessoa com a síndrome de Down não nasce com deficiência, ela fica deficiente dependendo da forma com que a educação dela é conduzida".

Para ajudar no desenvolvimento de Lúcio, Lurdinha sempre o estimulou, mas viu que era preciso um pouco mais para dar às crianças com síndrome de Down um crescimento com mais oportunidades.

Resolveu então, em conjunto com outras mães, criar a Associação Mães em Movimento, que trabalha para a criação e a implantação de políticas públicas para essas pessoas. Para Lurdinha, a luta dessas mães e pais, tem o seu valor "Toda a legislação [criada até agora] você pode ter certeza de que tem o dedo de um pai, ou de um grupo de pais".

"Mas o preconceito ainda é uma das principais dificuldades", diz a mãe de Lúcio, que mais uma vez teve que tirar o seu filho da escola por estar cansada de lidar com o preconceito e com a falta de preparo de profissionais. "É muito difícil se olhar pra uma pessoa com deficiência só como pessoa, primeiro vem a síndrome, para depois se olhar para a pessoa, se é que se olha para a pessoa".

Mas a mãe reconhece que há avanços. Pessoas com síndrome de Down vêm sendo inseridas na sociedade e têm recebido reconhecimento. "Está mudando porque existe um investimento muito grande das famílias no desenvolvimento dessas crianças, não só por uma legislação, mas por uma consciência de que a síndrome de Down é uma diferenciação genética e não uma deficiência".

fonte: UOL Notícias