terça-feira, 23 de junho de 2015

Carta de Laura Marques (portadora de nanismo) para Paula Pinheiro (aluna pesquisadora)


Querida Paulinha,

 

         Segue a relação das dificuldades e sufocos que eu passo no dia a dia.

Ao sair de casa me deparo logo com os degraus dos ônibus que são muito altos para subir para o ônibus, subo com dificuldade e para descer tenho que dar um pulo, correndo o risco de cair. Ao chegar às repartições públicas me deparo com o elevador com os botões de acesso naquela altura padrão que todos já conhecem e que eu não alcanço.         Depois vem a maçaneta das portas que eu também não consigo alcançá-las. Para isso conto com meu inseparável anel que é meu fiel escudeiro, sem ele não sou ninguém, pois é com ele que eu bato nas portas e as pessoas ao escutar o som abrem a porta para mim.

         E dando seqüência, disso vem os banheiros públicos, como são coletivos e com sanitários individuais sempre corro o risco de lá ficar presa, pois toda pessoa que passa fecha a porta e não consigo abri-la novamente.

         Quanto aos outros aspectos como caixa eletrônico, orelhão são também obstáculos e às vezes impossível de usá-los. Em viagens mais problemas, tanto em ônibus quanto nos aviões, logo o acesso para os banheiros é horrível porque mais uma vez não alcanço nas maçanetas para abrir. Agora, imagine você, que uma pessoa sozinha no corredor de um ônibus ou avião já chama a atenção dos outros passageiros, imagine esta pessoa sendo escoltada para ir ao banheiro?

         Hotel! Ah! Chegando no hotel tenho que ser escoltada o tempo todo para entrar, sair, pois tenho que ter alguém sempre por perto para abrir as portas, chamar elevador e algo mais. Estou aqui comentando o básico, ou seja, o ir e vir rotineiro, mas existem inúmeros a mais que só quem convive com isso é que sabe a enorme dificuldade.

         Quero ressaltar que, diante dessas situações relatadas com absoluta fidelidade, sou uma pessoa que não gosto de ficar reclamando da sorte ou lamuriando pelos cantos. O ideal para mim seria ficar dentro de minha casa onde tudo está ao meu alcance, mas tenho consciência de que preciso sair para trabalhar e buscar minha sobrevivência e acima de tudo “VIVER”, pois apesar de tudo e dos obstáculos eu acho a vida maravilhosa!!!

 

Crianças cegas escolhem cores pelo olfato e fazem exposição na Jordania

LINK:
http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2015/06/1645370-criancas-cegas-escolhem-cores-pelo-olfato-e-fazem-exposicao-na-jordania.shtml?cmpid=facefolha