sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aulas de Solidariedade



SEM BARREIRAS - Canadense dá aulas a moradores de rua da Lapa

domingo, 24 de novembro de 2013

Arquiteto no Morro, no 4

https://www.youtube.com/watch?v=bWSffnFkkuw

Esta entrevista faz parte de um projeto da jornalista Andrea Magalhães e Daniel De Pla
Foi muito bom. Obrigada Nil, por abrir sua casa para nós (o video é grandinho ...) mas vale a pena conferir !

Ateliê Gaia


    Está localizado na Colònia Juliano Moreira
    Para saber mais acesse o link:
    http://www.youtube.com/watch?v=7IhUU03MRpg&feature=share



Espaço Público para Todos. Aplicação dos princípios da acessibilidade plena em áreas históricas e em áreas consolidadas

Dissertação de mestrado
Universidade do Porto - Faculdade de Engenharia
Isabel Maria F. Pereira Caldeira  


RESUMO 


O estudo desenvolvido procura tecer algumas considerações sobre a promoção da acessibilidade plena nos espaços públicos, tendo em conta a diversidade humana, a inclusão social e a igualdade. Para além de um imperativo de cidadania, a acessibilidade plena é também uma oportunidade para inovar, promover a qualidade e vida, a sustentabilidade e a competitividade. 

Aceitar esta realidade obriga a considerar alterações no modo de conceber os espaços, apontando para propostas projectuais mais responsáveis, traduzido num desenho de compromisso que responda à satisfação da totalidade das necessidades dos utilizadores do espaço público das áreas históricas e das áreas consolidadas da cidade, independentemente das suas capacidades ou incapacidades. 

Projectar espaços cada vez mais abrangentes e menos restritivos é uma tendência mundial e 
irreversível e o Desenho para Todos é o novo paradigma do desenho do espaço público. Desenvolver esta nova cultura do Desenho para Todos deve ser o principal objectivo para alcançar a acessibilidade plena e a melhor estratégia para garantir a igualdade efectiva de oportunidades. O carácter ambicioso e amplo deste novo paradigma pode definir um caminho para que as políticas de promoção de acessibilidade tenham continuidade ao longo do tempo e superem muitos dos desafios que impedem de se conseguir a igualdade de oportunidades e uma melhor qualidade de vida para todos. 

Na consciência de que todos têm direito à cidade, é necessário destacar a importância que desempenha a Administração Local como figura responsável pelo desenho e pela gestão do espaço público. É necessário evoluir para autenticas políticas transversais sobre acessibilidade, isto é, para políticas que abordem de forma integrada a diversidade e a complexidade dos requisitos da acessibilidade e que combatam, não só as barreiras criadas no meio urbano, mas também as causas e os componentes sistémicos e estruturais que as geram. Na concepção dos diversos planos municipais são necessárias visões integrais e planeamentos estratégicos que tenham em conta a longo, médio e curto prazo distintos âmbitos e níveis de actuação, critérios de oportunidade para as actuações, envolvendo e coordenando as actuações dos diversos agentes públicos e privados que intervêm na cidade. 

PALAVRAS-CHAVE: ACESSIBILIDADE, DESENHO URBANO, DESENHO PARA TODOS, ESPAÇO PÚBLICO, ESPAÇO URBANO, GESTÃO MUNICIPAL 

O design do corpo

Quando iniciamos nossa pesquisa com os portadores de nanismo verificamos que uma das questões relevantes no sentido da autoestima estava a sua aparência. Como ser adulto naquele corpo pequeno e muitas vezes com a vestimenta inadequada uma vez que adquirida em lojas infantis? E esta conversa permeava com muito mais frequência o universo feminino. (fig. 1)

  
A roupa (Saltzman, 2008:305) é um elemento de intervenção sobre a morfologia do corpo do usuário e o design(er) deve prever que o resultado terminará criando uma nova condição onde este design existe e se expressa, como um modo de adaptação ao meio social em que está inserido. No momento em que o objeto de estudo são os portadores de nanismos, entendemos que a produção de roupas em larga escala por um lado se depararia com uma demanda relativamente pequena se considerarmos a quantidade de mulheres pertencentes a este grupo além do poder aquisitivo das mesmas, por outro lado se pensarmos como um nicho de mercado verificaremos que a roupa como um produto de design tem um papel importante de inclusão destas portadoras que querem ter além do sentimento de pertença ou, num linguajar mais popular, querem “estar na moda”.

Se a roupa na sua relação com o corpo deve ser entendida como medida de conforto para o usuário, não é compatível com uma mulher de 20, 30 ou 40 anos usar roupas infantis. Conforme coloca Martins (2009), as equipes de criação devem estar comprometidas em libertar o corpo de suas limitações. É fundamental gerenciar a aparência.

O corpo (Saltzman, 2008) adota diversas estratégias no campo da indumentária e cremos que o tecido seja a matéria prima a partir da qual se modifica a superfície do corpo que neste caso está bastante distante de padrões pré-estabelecidos, como se fosse uma nova epiderme. Se existem recursos que permitem criar um movimento de expansão nos tecidos que aumentam sua elasticidade, de modo que a peça de roupa se ajuste em corpos de diferentes tamanhos, silhuetas e idades, é talvez aí que se encontre uma primeira resposta para vestir, cobrir, inserir estas portadoras de nanismo e não necessariamente no molde ou no corte. Como coloca Suzana Barreto Martins (2008:323) “vestir e desvestir são ações relacionadas, a priori, com a facilidade de manejo, combinada com o índice ergonômico físico que avalia aspectos anatômicos, antropométricos e biomecânicos”. (fig.2)
  
Ainda não fizemos pesquisa de campo ampla para tentarmos pensar numa modelagem para as portadoras de nanismo e considera-se que, diante da diversidade de alturas, formas e características dos anões, essa deva ser uma tarefa complexa e que demande tempo de pesquisa. Espera-se que a partir de alguns estudos de caso possamos em uma etapa futura da pesquisa estabelecer diretrizes que objetivam não só uma produção numa escala ampliada das roupas como partir para estudo mais focado na modelagem e na relação do design e o corpo dos portadores de nanismo.

Estudo de caso


No estudo de caso contamos com a colaboração de Laura Marques, portadora de nanismo residente em Teresina – PI. Laura possui grande dificuldade para adquirir roupas que se adequem ao seu biótipo, restando como alternativas alguns modelos infantis, ajustes em modelos adultos ou peças sob medida. Foi feito um levantamento inicial de medidas de Laura, a saber: busto, altura do busto, separação de busto, cintura, quadril, centro costas, altura de perna e altura de braço. (fig.3)


A modelagem para portadores de nanismo apresenta algumas dificuldades, destacando-se a desproporção entre o tronco e membros. Para o desenvolvimento da peça foi necessária a aplicação de dois métodos distintos: a construção de bases do corpo a partir do método MIB (Modelagem Industrial Brasileira) adaptadas a uma nova escala e as medidas de Laura, aliada ao método denominado Moulage ou Drapping, que consiste em desenvolver peças diretamente sobre o corpo da cliente, ou nesse caso, sobre um manequim com biótipo semelhante. Foram desenvolvidas duas peças, uma túnica em mousseline e uma calça legging em malha com elastano. Embora sejam peças simples, as bases servirão para que no futuro sejam desenvolvidas outras peças dentro da mesma estrutura, com detalhamento diferente.
  
Com base nesse primeiro estudo de caso pretende-se compreender melhor as dificuldades da modelagem para portadores de nanismo. Neste caso optou-se por modelagem  ampla para favorecer os movimentos. Decote canoa e mangas que caem em cascata de godê trouxe leveza e à peça. Como complemento, a produção de uma legging, em malha leve de algodão com elastano.

Atualmente existem muitos tecidos desenvolvidos para várias aplicações, e a roupa deve atender a algumas demandas dentre elas a usabilidade e o conforto. Segundo Martins (2009) nem sempre os novos produtos de moda atendem a peculiaridades físicas de seus usuários (podemos citar os obesos, idosos, portadores de necessidades especiais...) e problemas são evidentes nesses segmentos. Devemos portanto estabelecer ou compreender as propriedades ergonômicas e os princípios de usabilidade como variáveis norteadores para pensar a roupa inclusive com mais qualidade.

O objetivo do estudo aqui apresentado não é criar uma coleção específica ou modelos para uma pessoa. Com a expansão da pesquisa pretende-se que sejam feitos outros estudos de caso, para que com a diversidade de biótipos existente, sejam criadas diretrizes projetuais para serem aplicadas a modelagem para portadores de nanismo.

Algumas dessas diretrizes já puderam ser identificadas no que se refere ao alongamento da silhueta, conforme observações do professor Roberto Abreu:
- produções monocromáticas criam uma linha horizontal no visual;
- coordenar as peças sempre com base em um mesmo tom (claro ou escuro), assim, não são criados cortes bruscos que achatam a silhueta;
- “não” para babados, laços ou figuras infantilizadas, para não passar uma impressão errada com a produção;
- boa opção são roupas que chamam a atenção para os ombros e o colo, assim desvia-se o olhar do restante do corpo e da altura;
- os comprimentos menores, criam uma aparência longilínea, assim shorts e saias curtos e minis são uma boa pedida;
- o segredo está em quanto o sapato esconde os pés: quanto mais alta for a gáspea (parte da frente que cobre os dedos) do calçado, mais baixa fica a aparência. Nesse caso tênis, botas e oxfords não são aconselhados;
- na hora de dar o toque final ao look com os acessórios, deve-se tomar cuidado: tudo aquilo que é grande para as mais altas ficará ainda maior, achatando a silhueta.

Vale ressaltar que a roupa é uma forma de comunicação onde se compartilham valores, ideais e estilos. O processo é transformar o individual e utilitário no coletivo (Miranda: 2008,15). Esquemas simbólicos se misturam as necessidades propriamente ditas. Como fazer esta leitura com as portadoras de nanismo posto que estes símbolos ficam aquém daquilo que elas efetivamente podem adquirir?


Ilustrações
                            figura 1: autoestima x aparência: como ser adulto num corpo pequeno


figura 2: Diversidade de corpos do homem considerado “normal”

 


 figura.3: Laura Marques, 96cm de altura


                                            figura 4: Peças desenvolvidas para Laura Marques


Referências Bibliográficas


ABNT 9050: 2004 – Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos
Alonso Lópes, Fernando. Accesibilidad en las viviendas: síndromes y remedios. Boletin CEAPAT, n.27, Madrid, 1999, p. 3.
Barros, Cybele. A casa segura. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 1999.
Cervan, M; et al. Estudo comparativo do nível da qualidade de vida entre sujeitos aconplásticos e não aconplásticos. [s.l.]: J Bras Psiqu, 2008.
Davis, Gary. About: ergonomics. Disponível em: http://www.designcouncil.org.uk. Acessado em: abr. 2005.
Hartje, Sandra. An incentive program for Universal Design in single-family housing using LEED as a model. ICADI International Conference on Aging, Disability and Independence. Disponível em: http://icadi.phhp.ufl.edu/2003/presentation.php?PresID=129. Acessado em: jun. 2005.
Iida, Itiro. Ergonomia, projeto e produção. São Paulo: Edgard Blucher, 1990.
Martins, Suzana Barreto. In dObras v.3, n.7, out. 2009, p. 84-87.
Miranda, Ana Paula de. Consumo de moda. A relação pessoa-objeto. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008.
Mistura, G. L'abito mutante. Milão: Modo, 1999.
Pires, Dorotéia Baduy Pires (org). Design de moda: olhares diversos. Barueri/SP: Estação das Letras e Cores, 2008.
Moraes, Anamaria; Mont’Alvão, Cláudia. Ergonomia: conceitos e aplicações. Rio de Janeiro: 2AB, 1998.
Rybczynski, Witold. Casa: pequena história de uma idéia. Rio de Janeiro: Record, 2002.

Schilder, Paul. A imagem do corpo: as energias construtivas da psique. São Paulo: Martins Fontes, 1980.

autores: Lourdes Luz e Nara Iwata

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

NÚCLEO DE PESQUISA “VIDA SEM BARREIRAS” - UMA EXPERIÊNCIA COM O DESIGN DE MODA


Iniciamos a pesquisa de forma interdisciplinar com os portadores de nanismo. Verificamos que uma das questões relevantes no sentido da autoestima estava a aparência. Como ser adulto naquele corpo pequeno e muitas vezes com a vestimenta inadequada uma vez que adquirida em lojas infantis?

A roupa é um elemento de intervenção sobre a morfologia do corpo do usuário e o design(er) deve prever que o resultado terminará criando uma nova condição, um modo de adaptação ao meio social em que está inserido. No momento em que o objeto de estudo são os portadores de nanismos, entendemos que a produção de roupas em larga escala por um lado se depararia com uma demanda relativamente pequena se considerarmos a quantidade de mulheres pertencentes a este grupo além do poder aquisitivo das mesmas, por outro lado se pensarmos como um nicho de mercado verificaremos que a roupa como um produto de design tem um papel importante de inclusão destas portadoras que querem ter além do sentimento de pertença ou, num linguajar mais popular, querem “estar na moda”.


O corpo adota diversas estratégias no campo da indumentária e cremos que o tecido seja a matéria prima a partir da qual se modifica a superfície do corpo que neste caso está bastante distante de padrões pré-estabelecidos, como se fosse uma nova epiderme. Se existem recursos que permitem criar um movimento de expansão nos tecidos que aumentam sua elasticidade, de modo que a peça de roupa se ajuste em corpos de diferentes tamanhos, silhuetas e idades, é talvez aí que se encontre uma primeira resposta para vestir, cobrir, inserir estas portadoras de nanismo e não necessariamente no molde ou no corte.“Vestir e desvestir são ações relacionadas com a facilidade de manejo, combinada com o índice ergonômico físico que avalia aspectos anatômicos, antropométricos e biomecânicos”. 





texto: Lourdes Luz e Nara Iwata

Um Conto de Fadas Conhecido

Apesar da história de Brenda Costa ou a Sra Al-Fayed ser conhecida creio ser importante registrar não somente um caso de superação mas principalmente a importância dos afetos nesse processo.
Brenda é linda mas nasceu surda porém nunca gostou de se comunicar pela linguagem dos sinais. Aprendeu a falar,  virou expert em leitura labial e ganhou o mundo como modelo. Mas também sofreu preconceito e foi humilhada – desprezo e impaciência - por sua condição física.

Hoje casada com Karim Al-Fayed (também deficiente auditivo), Brenda superou as inseguranças e se acostumou a viver dentro de suas limitações. Vez por outra dizem a ela que é fácil ser aceita com o dinheiro que tem. Como coloca muito bem, o dinheiro a ajudou imensamente mas sua Mãe foi figura fundamental posto que foi sempre sua voz e um pedaço dela.


fonte: Glamour, nov 2013