quinta-feira, 19 de março de 2009

Acidentes domésticos: saiba como se livrar deles

Números revelam que 75% de lesões envolvendo idosos acontecem dentro de casa


Muita gente não sabe, mas a nossa própria casa pode oferecer riscos. Em algumas situações, a má distribuição dos móveis, lâmpadas altas demais ou pisos escorregadios podem provocar acidentes sérios, principalmente quando se fala de idosos e crianças. O que é uma casa segura? A arquiteta Cybele Barros criou o projeto que recebe este nome justamente para chegar à melhor maneira de oferecer independência, acessibilidade, integração, conforto, segurança e mobilidade de pessoas no interior de suas residências.


A professora da Escola de Design da UVA Liane Flemmig explica que "a casa segura é aquela que as pessoas podem utilizar sem risco para sua saúde e segurança, mas deve principalmente garantir que os seus usuários a utilizem maneira independente".


Ela explica ainda que os conceitos de conforto e visitabilidade são igualmente importantes. "O direito de visitação consiste em permitir que a casa seja acessível não somente para o dono como também para as pessoas que freqüentarem sua casa". Para não apresentar barreiras, segundo Liane, os espaços devem ser remodelados, ou seja, adaptados para que sejam acessados por todos os usuários.


A professora explica, ainda, que a visitabilidade deve ser encarada como o direito ao convívio social irrestrito, o que passa pela escolha de amigos com os quais se tem "afinidades de pensamento e afeto, e não de condições físicas semelhantes".
Idosos têm necessidades especiais


Segundo o IBGE, os idosos representam 8,6% da população brasileira, ou seja, cerca de 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade. A previsão é a de que nos próximos 20 anos a população idosa do Brasil poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas e deverá representar quase 13% da população total deste período. A mudança do perfil etário brasileiro torna ainda mais importante a adaptação das casas às necessidades que surgem para pessoas de idade avançada, garantindo assim sua autonomia e independência. "A casa deve permitir, acima de tudo, a dignidade, individualidade, independência, privacidade e familiaridade", afirma Liane.
O núcleo de pesquisa "vida sem barreiras" da Escola de Design pesquisa o design universal, ou seja, a forma de projetar para todos, independente das condições físicas. As casas projetadas de maneira a atender às crianças e aos idosos, por exemplo, têm maiores chances de atender um maior número de pessoas.


De acordo com Liane, as casas têm que ser adaptadas, uma vez que na maioria das vezes os responsáveis pelos projetos não têm o hábito de pensar assim.





Cuidados em cada ambiente
Banheiro e cozinha
Liane afirma que medidas simples podem contribuir para tornar as casas mais seguras. Ela explica que as áreas que requerem mais cuidados são a cozinha e o banheiro, ou onde a água estiver presente. " Nesses locais é fundamental que se tome cuidado com o piso, que deve ser sempre antiderrapante e sem degraus. Os tapetes também podem ser bem perigosos caso não tenham fitas antiderrapantes coladas no seu verso. Nos banheiros a colocação de barras de apoio na área do chuveiro e vaso é um recurso recomendável, ao contrário das banheiras".
Móveis
Os móveis devem ser estáveis, de modo que possam servir como apoio, mas não devem ter quinas e nem atrapalhar a passagem.
Portas
As portas, se possível, largas com maçanetas de alavanca e não de "bolinha".
Iluminação
Para uma boa iluminação não podemos considerar apenas a intensidade luminosa. Ela deve também propiciar a garantia de uma boa execução das tarefas. Além da luz normalmente existente no centro do ambiente, luminárias de mesa ou com "pé" garantem a flexibilidade da iluminação, permitindo que as pessoas possam ajustar a luz às suas necessidades e conforto. A garantia da luz natural, regulada através de cortinas leves e persianas, traz economia, segurança e bem estar.
Acesso
A altura das tomadas e dos interruptores deve prover acesso sem muito esforço. Estes são alguns dos itens importantes. Devemos, no entanto, salientar que, em se tratando de uma casa, deve-se sempre ter o cuidado de não transformá-la em um lugar estranho: o conforto, segurança e bem-estar devem caminhar juntos.
Acidentes
Norivaldo de Oliveira ainda se recupera do acidente que mudou sua vida. Desde que caiu de uma árvore enquanto tentava pegar uma fruta, em 2002, ele faz fisioterapia para recuperar os movimentos das pernas e dos braços. "Foi a primeira vez que subi num lugar tão alto. Caí de 2 metros de altura, me acidentei e agora estou na cadeira de rodas. No início não mexia nada, nem perna nem braço, só a cabeça".
Paciente do Núcleo de neuro-funcional do CSP-UVA há cerca de 1 ano, ele conta que aos poucos pôde retomar atividades relativamente simples. "Antes eu não tomava banho sozinho, agora já consigo. Ainda não vou ao banheiro sozinho, mas faço todo o resto, até lavo roupas". Ele conta ainda que, embora não saia sozinho de casa, dentro do imóvel já consegue trocar alguns passos. "Já estou andando, graças a Deus. Só ando de andador e segurando a cadeira de rodas, mas sou capaz de ir onde eu quero".
A fisioterapeuta responsável pelo tratamento de Norivaldo, Cacilda Pereira Barbosa, explica que não é possível prever quando Lorivaldo poderá deixar de vez a cadeira de rodas, pois, segundo ela, trata-se de um processo lento. "Ele precisa de mais equilíbrio de quadril, mas quando chegou não tinha massa muscular, não agüentava treinar a marcha porque ficava muito cansado. Com o tempo foi se fortalecendo e agora já está bem melhor".
A supervisora do núcleo de fisioterapia do Centro de Saúde e Pesquisa da UVA Bruna Correa Mello, explica que em caso de acidente o paciente deve procurar assistência medica imediatamente para saber qual é o procedimento adequado. Ela alerta que a falta de fisioterapia pode deixar seqüelas para toda a vida. "O paciente pode não andar, ficar mancando e até não realizar o movimento correto do membro".

terça-feira, 3 de março de 2009

QUARTOS ESPECIAIS

GABRIELA BRETTO

Existem no Brasil cerca de 27 milhões de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, isso corresponde a 15% da população (IBGE, 2008). A ergonomia de interiores, como já citado, vem engatinhado no país, A ABNT NBR 9050 foi elaborada no Comitê Brasileiro de Acessibilidade (ABNT/CB–40), pela Comissão de Edificações e Meio (CE–40:001.01) e serve de regulamentação para a universalização de prédios públicos e áreas de grande circulação de pessoas, como as portarias e garagens de edifícios. Algumas leis de inclusão de deficientes tanto nas escolas como em postos de trabalho vem criando independência financeira para o deficiente. Com isso está surgindo um novo mercado consumidor, este mercado está buscando cada vez mais produtos e serviço voltados para as suas necessidades, como se observa na opinião a seguir:
“Eu acho que faltam produtos, não só do ponto de vista da arquitetura, mas mobiliário, pois o deficiente não quer ficar só na cadeira de rodas, ele quer ser transferido para um lugar confortável. Tenho certeza que há mercado para consumir este tipo de produto”. - Ricardo, engenheiro civil – cadeirante (Revista PEGN).
Um reflexo disto pode ser observado na criação de leis que garantem o consumo, por exemplo, de diárias de hotel e motel, através do Projeto 640:2003 em que 2% dos quartos de hotéis no Brasil devem estar adaptados para deficientes e a Lei 3.298/DF que além de ampliar essa percentagem para 4% das acomodações de hotéis estende esse número para os motéis.
Mas a adaptação de casas aos deficientes ainda é feita de forma quase empírica, não existem manuais e a maioria das pessoas utilizam a NBR 9050 como base e fazem adaptações conforme a própria vivência com a enfermidade de forma que não há hoje formação profissional que atenda a este grupo. Mas alguns conhecimentos básicos podem ajudar na hora em que o Designer se deparar com o desafio de ambientar um quarto para um portador de necessidades especiais, classificados conforme a deficiência.

1 Deficientes motores
O projeto de quarto de um deficiente motor deve ter pelo menos um espaço de 1,50 x 1,20m para que seja possível retornar com a cadeira de rodas ou andador (180º) o ideal é que seja possível realizar uma rotação em 360º, para isso deve-se dispor de uma área de 1,50 m de diâmetro. A Cama deve estar à mesma altura do acento da cadeira de rodas ou muito próxima, de forma que exija menos esforço muscular dos braços que já são sobrecarregados pelos movimentos de locomoção. Quando o orçamento permite pode-se optar por camas inclináveis que permitem uma melhor instalação e ajudam na transferência. Um interruptor ao lado da cama do tipo three-way é necessário para a maior comodidade ao acender e apagar a luz principal do quarto, outras fontes de luz como abajures devem ser usadas somente se estas permitirem o acionamento com certa facilidade. Aparelhos como ar-condicionados e televisores devem ter controle remoto.
Os armários mais indicados são aqueles que possuem portas de correr, caso o cadeirante more sozinho, será necessário dispor seus pertences até 1,20 m do chão. O uso de basculantes nos cabideiros pode ampliar está altura. A barras de segurança deverão seguir o padrão conforme a pegada do cliente elas variam entre 3,0 a 4,5cm de diâmetro para adultos e a partir de 2,5 cm para crianças.
2 Deficientes visuais
2.1 Totais
A forma de locomoção dos deficientes visuais totais em casa é pela contagem de passos, o Designer de dispor os móveis de forma a facilitar a circulação. Para evitar que o deficiente visual saia e deixe as luzes acessas podem ser adaptados avisos sonoros às luzes ou utilizar luzes com sensor de movimento e o piso com textura pode ser instalado ao redor de móveis e paredes para evitar colisões.
2.2 Parciais
Quando o deficiente visual enxerga parcialmente é preciso priorizar a claridade do quarto, para atenuar a dificuldade de ver os contornos pode ser explorado o contraste de cores como o preto e branco e não utilizar cores com tonalidades próximas como os tons pastéis.

3 Deficientes auditivos
3.1 Totais
Ser surdo ou ouvir mal causa desconforto, frustração e insegurança, a visão é, em certos aspectos, muito limitada para o individuo trocar informações com o meio. Para trazer conforto ao deficiente auditivo total o profissional tem que tentar alargar o campo visual. Isto é feito retirando paredes, colocando vidraças e espelhos, assim o deficiente pode saber o que se passa um pouco mais além. Como saber se está chovendo, o que os filhos estão fazendo, etc... As luzes do quarto precisar está em posição que diminua as sobras, principalmente nos rostos, por causa da leitura labial, por isso é recomendada a luz de baixo para cima também. O telefone deve ter um aviso luminoso quando tocar, ou pode-se utilizar uma ligação com a luz principal do ambiente de forma que ela pisque para que o deficiente saiba que o telefona esta tocando.
3.2 Parciais
Além dos cuidados já citados para deficientes auditivos totais. Deve-se pensar no conforto acústico, pois, na maioria das vezes, ruídos externos dificultam o entendimento e causam um enorme desconforto para o deficiente. Uma alternativa para lugares muito barulhentos são quarto com isolamento acústico.

4 Deficientes cognitivos

Como são inúmeras as deficiências deste tipo e todas de alguma forma se parecem, mas ainda assim não podem ser enquadradas no mesmo grupo, somente algumas colocações sobre as mais comuns serão abordadas. Antes, no entanto, vale ressaltar, que nos casos de deficiência cognitiva, assim como nas demais é importante uma entrevista com os profissionais de saúde que acompanham o cliente, de forma a planejar melhor o quarto, condizente com o trabalho desenvolvido com o deficiente e visando a sal máxima satisfação e conforto.
4.1 Autismo
Ao projetar um quarto para um autista é necessário saber que normalmente eles têm dificuldade de adaptação, eles precisam ter uma rotina e necessitam de quartos pequenos e visualmente limpos. Nos casos em que essas pessoas precisem realizar outras tarefas o ideal é sugerir a separação de ambientes – quarto para dormir, closet para vestir, ambiente de brincar, se for criança, ambiente de estudo ou trabalho se ele executa alguma dessas atividades. Se isto não for possível pode-se sugerir a utilização de divisórias no ambiente se o espaço permitir para tentar isolar visualmente as áreas, já que a cama pode fazer com que ele perca o interesse em outras atividades e vice-versa.
4.1 Síndrome de Dow
O adulto Dow apesar do déficit de aprendizagem leva uma vida doméstica quase normal. Como ele aprende por repetição a maioria dos Dows não necessita de muitas adaptações. Há que se considerar apenas os problemas de saúde paralelos como a apnéia do sono que influencia na escolha do colchão e do travesseiro. Como seu desenvolvimento é mais lento é necessário que o quarto seja também um ambiente estimulante, mesmo quando adulto pois eles tendem a se deprimir com mais facilidade. Cada caso deve ser sempre visto como único, pois nenhuma deficiência produz indivíduos iguais. Como as pessoas consideradas padrão o deficiente também gosta da sua individualidade e tem necessidades que lhe são próprias e particulares.

5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Sites:

PROJETO APROVADO OBRIGA HOTEL A TER QUARTO PARA DEFICIENTE http://www.nppd.ms.gov.br/noticia.asp?not_id=251

Lei garante acesso de deficiente a motel http://sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=53401


CASAS ADAPTADAS
http://pegntv.globo.com/Pegn/0,6993,LIR264807-5027,00.html

A LHerzog participa da edição 2007 do maior evento de Decoração e Design da América Latina, o Casa Hotel - WTC design floor by Casa Cor
site www.casahotel.com.br

Livros e documentos:

ABNT NBR 9050:2004. Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 97 p.

DOMAN, GLENN O que fazer pela criança de cérebro lesado. Rio de Janeiro, Auriverde. 1989 393p.