sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Casa Saudável

Criando um ambiente Saudável

Por se tratar de uma doença crônica, portadores de alergia necessitam de cuidados constantes principalmente no que diz respeito ao habitat moderno onde a poluição, o aquecimento global, os ambientes fechados e climatizados, os produtos feitos com substância antes inexistentes, o tabagismo, o estresse e principalmente a nossa casa e o nosso quarto onde passamos a maior parte de nosso tempo representam riscos constantes que podem agravar mais ainda a doença.

O mobiliário deve ser simples, com bordas lisas e de fácil limpeza. Utilizar móveis leves e versáteis. Sofás de couro, vinil ou plástico (livres da emissão de compostos orgânicos voláteis – COVs); tapetes pequenos (de preferência antialérgico) fáceis de lava; estantes fechadas, com portas de vidro; persianas e cortinas leves, de preferência no sentido vertical, que dificultam o acumulo de poeira e são mais fáceis de limpar; poucas almofadas com capas de zíper. Evite detalhes que possam acumular poeira nos rodapés, portas e alisares.

Evite: estofados de tecido; carpetes e tapetes difíceis de tirar; estantes abertas, cortinas grandes e com muitos detalhes; muitas almofadas difíceis de lavar; mobiliários com tecido e entalhados.

Na escolha das cores opte por tons claros que tem benefícios capazes de proporcionar conforto mental e que são mais reflexivas aproveitando melhor a luz natural. Evite superfícies rugosas que além da dificuldade de limpeza e manutenção, irradia a luz para diferentes direções e muitas vezes causam auto-sombreamento.

Como a sala geralmente é o cômodo mais amplo da casa, dois elementos são de vital importância: a iluminação e a ventilação. O primeiro pode envolver a insolação direta ou não. O importante é manter o ambiente claro evitando o aparecimento de certos componentes alérgicos dentro da casa. Como vimos anteriormente, quando falamos sobre a iluminação, que a luz pode ser utilizada até no combate a depressão. Combinada com uma boa ventilação torna o ambiente desfavorável para a proliferação de ácaros e fungos e ajuda no fortalecimento do sistema imunológico. Janelas de correr com panos, de vidros grandes ou basculantes são as mais indicadas. A primeira oferece uma entrada de ar direta, enquanto que as segundas promovem ma ventilação lateral com movimento circular no ambiente.

Na hora de escolher o tipo de piso, a sugestão é a utilização de materiais mais fáceis de limpar e manter a higienização do ambiente. Pisos de cerâmica e pedras são os mais aconselháveis, embora existam no mercado os carpetes com fios sintéticos de náilon mais fechados e menos ásperos, que acumulam menos poeira e que facilitam a manutenção.

A limpeza de todos os ambientes deve ser feita diariamente, com água, sabão e produtos de limpeza adequados. Evitar produtos com odoro ativo, como os derivados de amoníaco. Evitar o uso de vassouras, espanadores e aspiradores que não tenham filtros para reter partículas bem pequenas.


Autor:
MALAQUIAS, Volnei Gonçalves, 2007, p.49-51 - Monografia do Curso de Pós Graduação em Design de Interiores: Casa Saudável – Um Conceito de Moradia para Alérgicos. (o texto integral está na biblioteca da Universidade Veiga de Almeida / Campus Barra da Tijuca, RJ)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quebrar paradigmas – uma educação para todos

Lembro-me de uma experiência interessante com alunos do ensino infantil da rede de educação municipal paulistana, que levava crianças de quatro anos para visitar a Pinacoteca do Estado. Isso me pareceu muito interessante, até porque era um tanto improvável. Quem já imaginou um programa de educação pública realizar este tipo de excursão com crianças tão pequenas? Por outro lado, alguém duvida que pode ser um grande ganho para estes estudantes estarem desde já em contato com arte, terem estas experiências visuais, sonoras e auditivas, estarem em um ambiente de museu?

Nesta idade adquirimos uma parte importante de nossa formação e nossos conceitos de moral e disciplina. É também na infância que está uma pequena chave de preconceito – que pode ser girada ou não, depende das experiências de cada criança. Há, portanto, grande potencial de se iniciar uma relação saudável com a diversidade humana, ou o contrário. Se uma criança convive com outras que sejam diferentes de alguma forma - que, por exemplo, tenham alguma deficiência -, dificilmente ela irá desenvolver alguma resistência ou dificuldade em se relacionar com outras pessoas com deficiência quando for mais velha. Dando outro exemplo, imaginemos o que pode significar colocar uma pessoa de idade bem avançada para ir em escolas contar histórias para crianças. O respeito ao idoso e a aceitação do pluralismo colocam-se naturalmente para a criança numa situação trivial como esta. Assim como acontece com as diferenças de cor, de situação econômica, sexo, comportamento e outros.

Estamos falando da diversidade no ambiente escolar. Acho que precisamos abrir mais as portas do ambiente educacional para a diversidade humana. Não estou nem me referindo aos inúmeros problemas técnicos que as pessoas com deficiência vivem para ter acesso à sala de aula e ao currículo escolar, seja por questões arquitetônicas, seja por falta de recursos de comunicação, falta de material pedagógico adequado etc. Refiro-me, sim, à disposição de professores e corpo de coordenadores das escolas em receber alunos com deficiência. Mesmo com tantas e diversas necessidades, as escolas ainda resistem à inclusão. Ouvimos – e tantas mães ouvem tanto – que as escolas que recebem alunos especiais não estão preparadas para tanto. Muitas vezes, menos por necessidade do que por desespero com a nova situação, orientam que a criança ou jovem seja encaminhado para escolas especiais. Temos muito o que aprender com as instituições que um dia foram fundamentais no conceito de escola especial. Hoje, felizmente este conceito se transforma com envergadura universal, já que tenta cada vez mais se aliar ao ensino formal para educar crianças com ou sem deficiência.

Acredito que o aluno que tenha alguma deficiência intelectual, física, auditiva, visual etc, pode e deve estudar no mesmo ambiente que outros alunos sem deficiência. Isto é democracia e livre acesso à educação. Não podemos privar pessoas deste precioso convívio social em razão de alguma limitação física que tenham. Porém ninguém tem o direito de inviabilizar esta experiência. Por isso acho que é hora de a escola e a família re-avaliarem o ato de educar.

A propósito deste assunto, reproduzo aqui um texto do grande educador Rubem Alves, cujas palavras faço minhas: “O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das 'ciências da educação' não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer. Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer porque não existe coisa mais importante que educar. Pela educação o indivíduo se torna mais apto para viver: aprende a pensar e a resolver os problemas práticos da vida. Pela educação ele se torna mais sensível e mais rico interiormente, o que faz dele uma pessoa mais bonita, mais feliz e mais capaz de conviver com os outros.” (publicado no Jornal da Ame, novembro de 2009)
Autora: Mara Gabrilli, 42 anos, é publicitária, psicóloga, ex-secretária municipal da Pessoa com Deficiência e vereadora pelo PSDB na Câmara Municipal de São Paulo. Empreendedora social, preside o Instituto Mara Gabrilli, ONG que apóia atletas com deficiência, promove o Desenho Universal e fomenta pesquisas científicas desde 1997.
No dia 20 de agosto de 2008, foi avaliada como a segunda melhor vereadora paulistana, entre os 55 vereadores, por estudo da ONG Voto Consciente (www.votoconsciente.org.br), com nota média de 7,9. No quesito Coerência, que avalia cumprimento durante a legislatura das propostas feitas durante a campanha, teve a maior nota: 9,53.
Foi a mulher mais votada do Brasil nas Eleições 2008 com 79.912 votos.

Mara Gabrilli ainda escreve uma coluna mensal para a revista TPM
http://revistatpm.uol.com.br/) há 8 anos, e comanda, desde abril de 2007, o programa de rádio Derrubando Barreiras: acesso para todos na Eldorado AM (http://www.derrubandobarreirasacessoparatodos.blogspot.com/).

Foi eleita Paulistana do Ano (2007) pela revista Veja São Paulo, (http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/sumario2039.html), um dos Cem Brasileiros Mais Influentes (2008) da revista Isto É (http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1992/sumario.htm), finalista do Prêmio Claudia 2008 na categoria Políticas Públicas (http://premioclaudia.abril.com.br/finalistas_pol.shtml) e figura, também, entre os 100 Brasileiros Mais Influentes (2008) da revista Época na categoria Benfeitores (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI18845-15204,00-EPOCA+A+LISTA+DOS+BRASILEIROS+MAIS+INFLUENTES+DE.html).

TRAJETÓRIA
Há 15 anos, Mara Gabrilli sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. Passou cinco meses internada – dentre os quais dois em respirador artificial – e recebeu uma nova condição para a vida: a impossibilidade de se mexer do pescoço para baixo.
Em 1997, fundou a ONG Projeto Próximo Passo com o objetivo de promover a acessibilidade e o desenho universal, pesquisas para cura de paralisias e projetos de inclusão social para atletas com deficiência. Hoje, a ONG se expandiu e transformou-se no Instituto Mara Gabrilli, que tem a PPP como um de seus braços apoiando 85 atletas - três foram às Paraolimpíadas de Pequim. Em outubro, o IMG trouxe uma cientista indiana para trocar experiência com a pesquisadora da USP Lygia Pereira, o que resultou na primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias, a BR-1.
Mara Gabrilli foi a primeira titular da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED) criada em abril de 2005. Desenvolveu dezenas de projetos em diversas áreas: infra-estrutura urbana, educação, saúde, transporte, cultura, lazer, emprego, entre outros. Isso resultou no aumento de 300 para cerca de 3 mil do número de ônibus acessíveis com bancos largos para obesos e piso baixo; na reforma de 400 quilômetros de calçadas adaptadas, inclusive na Avenida Paulista, que com rampas, piso podo-tátil e semáforos sonoros, se tornou modelo de acessibilidade na América Latina; na criação de 39 núcleos municipais de reabilitação física e saúde auditiva; no emprego de mais de mil trabalhadores com algum tipo de deficiência; nas versões em braile ou áudio de todos os livros das Bibliotecas Municipais (Ler pra Crer); na ida de 14.000 pessoas com deficiência ao cinema, teatro e exposições; entre outros.
Em atuação na Câmara Municipal desde fevereiro de 2007, protocolou 39 Projetos de Lei que trarão mudanças na cidade para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mas que, no fim das contas, beneficiarão a toda população. Três já foram aprovados e são Lei Municipal: o que cria a Central de Intérpretes de Libras e Guias-Intérpretes para Surdocegos (Lei 14.441/07), o que torna Lei o Programa Municipal de Reabilitação da Pessoa com Deficiência Física e Auditiva, determinando a implantação de novos serviços de reabilitação nas 31 subprefeituras da capital (Lei 14.671/08), e o Plano Emergencial de Calçadas (PEC), que permite que a Prefeitura reforme e revitalize as calçadas em vias estratégicas onde estão localizados os diversos equipamentos públicos e privados essenciais à população – correios, escolas, hospitais, etc (Lei 14.675/08).
Mara Gabrilli, 42, tetraplégica, psicóloga e publicitária, é vereadora da cidade de São Paulo.
Fundadora da ONG Projeto Próximo Passo, hoje Instituto Mara Gabrilli, foi Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de 2005 a 2007.
www.maragabrilli.com.br

terça-feira, 3 de novembro de 2009

RFID ajudando deficientes visuais


Esta patente (no. 7 408 465- / quvld.tk) descreve um sistema em que o deficiente visual pode receber informações por meio de uma voz eletrônica sintetizada, ajudando-o a se mover em um aposento, uma sala de aula, uma loja ou mesmo em uma rua.

Baseia-se em etiquetas RFID colocadas em locais especiais no ambiente percorrido pelo usuário. Elas transmitem informação para pequenos leitores especiais portáteis energizados por bateria, que ele leva consigo. Ao se aproximar de cada etiqueta, o usuário ouve as informações nela contidas.(O Globo Digital, 12/nov/2009. pg 8)