segunda-feira, 25 de julho de 2011

Depoimento de um aluno da UVA portador de nanismo sobre sua vivência de campo, na Ilha Grande – Angra dos Reis-RJ

"Gostei bastante de ter participado da vivência de campo em grupo de alunos de diferentes cursos da Escola de Design da Universidade Veiga de Almeida, na Ilha Grande – Angra dos Reis-RJ, não foi mais prazeroso, porque eu estava com alguns problemas nas pernas (coisas da coluna), o que fez com que a "caminhada" ficasse tensa não só pelos obstáculos naturais.


A Professora Danielle Spada, coordenadora do evento, conhecida e chamada carinhosamente por todos nós simplesmente como Dani, nos comunicou que o percurso do caminho seria em torno de 20 minutos. Deduzi então, que seria uma coisa rápida, mas, não foi assim!


O caminho tornou-se difícil, com pedras que nem conseguia subir sozinho e lugares altos, que devido a minha estatura dificultava mais ainda o acesso pra mim. Lembro que muitas vezes a orientadora do ambiente que estávamos conhecendo fazia algumas paradas para explicar detalhes sobre o local. Mas, até eu conseguir alcançar o grupo para ouvir a explicação, ela já tinha terminado de falar. Situação esta que se repetiu muitas vezes, ou porque sentia as dores ou porque não conseguia chegar a tempo.


Bem apesar do percurso e do que para mim se tornou uma longa caminhada, o que fez com que na volta tivesse que utilizar um taxi boat, pois não conseguiria voltar tudo a pé, a vivência foi legal, a oportunidade de interagir em grupo, o conhecimento adquirido, proporcionou um novo olhar de um bonito lugar. Pronto só isso! Espero ter ajudado ai D: "



Esta perseverança é um exemplo para todos nós.

Lourdes Luz

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Uma situação constrangedora

Outra visão
Ao ler um artigo em jornal, no domingo 26 de junho, sobre pessoas com deficiência no mercado de trabalho e o relato de que o grande desafio é o preconceito, lembrei-me de um fato acontecido comigo.
Há uns três meses atrás entrei em uma Farmácia destas que tem um letreiro bem grande “Aqui funciona uma farmácia popular”, em busca de um medicamento específico para tratamento neurológico de uma pessoa idosa.
Na época, já alguns outros estabelecimentos iguais haviam dito estar em falta. Mas, a necessidade levou-me a continuar procurando, o estabelecimento estava com um quantitativo de clientes respeitável, a maioria idosos.
Porém, não havia ninguém disponível para dar uma primeira informação, o que obrigava todos a se aglomerarem no balcão, fosse para efetivar a compra, pesquisar sobre a existência do medicamento ou preço.
Resultando na formação de uma fila bem extensa, num espaço apertado, que contribuía bastante, para um mal estar geral. Eu, como todos, ansiava ser atendida, no entanto, quando cheguei perto do balcão fui interpelada por uma pessoa idosa que exigia seu direito de atendimento preferencial. Tal situação, levou-me a buscar de outra forma a informação se havia ou não o medicamento sem permanecer na fila e correr o risco de mais uma vez ter que ceder meu lugar.
Dirigi-me a uma jovem e perguntei sobre o tal medicamento, esta sequer me olhou. Tomada de total indignação, indaguei alto quem era a gerente. Após alguns minutos e por já estar sendo criada ao meu redor uma roda de pessoas que haviam percebido o ocorrido e também se exaltaram, surge alguém que se apresenta como a responsável e com um total desdém informa que não há o medicamento, finalizando que é preciso ir para a fila para ser atendida. De imediato, mesmo sem necessidade, narrei o acontecido. Ela muito à contragosto, diz entre os dentes: “Senhora, ela é muda”.
A minha indignação deu lugar a vergonha, eu, cidadã havia interpretado o silêncio de alguém que não portava um crachá sinalizando sua dificuldade, colocada de forma desrespeitosa e vexatória por parte desta gerência em uma situação que poderia trazer maiores problemas, como uma tremenda falta de educação e profissionalismo. Naquele momento pude perceber o quanto há de verdade no relato de pessoas com deficiência quando com toda a propriedade colocam que “a lei facilita o acesso de pessoas com deficiência no mercado, mas não reduz o preconceito”.
O mais triste é ter a consciência que o preconceito é definitivamente a maior deficiência do ser humano.


autor: Tania Werneck