quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

UM OLHAR SOBRE O NANISMO -


POR PATRÍCIA BYRRO (in Nanismo in foco)

Certa vez, Carlos Drummond de Andrade em um dos seus poemas disse sabiamente: “Pois sou do tamanho daquilo que vejo e não do tamanho da minha altura.” A real intenção do poeta eu não sei qual era, mas a frase veio exatamente de encontro com minha vida e meus sonhos.

Muito se fala da sociedade de hoje, do paradigma da beleza externa, do pré-conceito e do estereótipo que se faz das pessoas, principalmente das pessoas com deficiência. Percebemos que por mais que estejamos no século XXI, muitos se comportam como se não estivesse nele.

O desrespeito com pessoas de baixa estatura faz com que seja criada uma imagem preconcebida, principalmente imagens associadas a brincadeiras pejorativas. Seja devido à cultura, onde na antiguidade a pessoa com nanismo tinha a obrigação de propiciar a diversão na corte, sendo literalmente o “bobo da corte”, seja pelo preconceito que existe pelo simples fato de ser diferente.

Todos esses fatores e comportamentos acabam por nos influenciar e de certa forma faz com que fiquemos travados ou inibidos diante da sociedade. Muitas vezes, o sentimento de incapacidade ou de achar que não temos lugar na sociedade acaba nos influenciando. Idealizamos sonhos e conquistas, no entanto, por termos medo de ousar e arriscar, acabamos por não concretizá-los.

Mas não é a sociedade que impõe o que devemos ser ou o estigma que temos que carregar. Não é a opinião do outro que deve nos travar. Podemos ser aquilo que queremos ser, independente do que os outros vão pensar. Se nos aceitamos como somos, entendendo que nosso limite não se encerra somente em 1,14 m, podemos alçar vôos tão altos quanto uma águia. Não há limites para quem quer superar, para quem quer mostrar que somos do tamanho daquilo que queremos, daquilo que sonhamos! Se sonhamos em ser médico(a), advogado(a), fisioterapeuta, veterinário(a), arquiteto(a) ou tantas outras coisas, que sejamos! Que não seja as barreiras físicas e externas a nos influenciar, e sim a vontade de mostrar que somos capazes em tudo que fazemos!

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