quarta-feira, 22 de outubro de 2008

ADAPTAÇÃO DE RESIDÊNCIA PARA IDOSOS

Arq. Flávia Molina Toledo Couto

especialista em design de Interiores pela Universidade Veiga de Almeida


O número de idosos jamais foi tão grande em toda a história, portanto, são de extrema importância que se façam estudos e se desenvolvam projetos a fim de atender a essa parcela cada vez maior da população.

Segundo a OMS a expectativa de vida que em 2005 era de 66 anos para os brasileiros, passará a 78 anos em 2025. Já nos países desenvolvidos esse número pode chegar a 87,5 anos para homens e 92,5 para mulheres em 2050, o que também deixa claro que a população idosa também está envelhecendo.

Segundo o IBGE, o fenômeno é recente e vem ocorrendo de forma rápida. No Brasil a população acima de 60 anos é a que mais cresce proporcionalmente. Camada essa que necessita de leis, espaços, serviços e produtos diferenciados.

Neste estudo foi feita a adaptação de uma residência dos anos 50 para atender, de forma adequada, às necessidades das proprietárias que, com o passar dos anos, viram suas atividades domésticas sendo limitadas pelo espaço e design inadequados.

A opção por uma adaptação da residência em questão se sobrepõe à possível facilidade de deslocamento para um espaço fisicamente mais adequado devido à consideração que dá às questões familiares, suas recordações e apegos ao espaço onde se viveu a maior parte da vida.

O ambiente contribuindo significativamente para a continuidade e até o aumento de sua auto-estima. Desta forma, os espaços destinados aos idosos devem garantir sua independência através de sua arquitetura sem barreiras de condições de design ergonômicas, o que lhes garante maior capacidade de dominar o espaço e consequentemente maior segurança e conforto.

Atualmente busca-se maior flexibilidade para adaptação do ambiente à pessoa idosa e para atender a estas necessidades algumas características são bastante significativas como pisos regulares, antiderrapantes e sem polimento, barras de apoio, luz de vigília, ventilação natural,maior iluminação ( indica-se 3 vezes mais potência) e com pontos não ofuscantes., espaços para cadeiras de rodas, conforto visual, acústico, térmico e tátil, além dos botões de emergência.

A pessoa idosa possui menos poder de visão e isto deve ser considerada em projetos destinados a terceira idade. Assim é interessante que utilize interruptores com tecla iluminada, sensores de presença, dimmer, focos para detalhe e leitura, objetos e acabamentos que não reflitam muito a luz, iluminação difusa e indireta para diminuir o ofuscamento, além de arandelas e balizadores.

Os espaços de circulação também devem ser projetados com cautela e devem possuir passagem suficiente para cadeirantes e/ ou auxiliares nos casos dos idosos, apoios ao longo do percurso além de espaços para descanso, inclusive com assentos.
Cozinhas e banheiros merecem um cuidado especial. No primeiro caso é interessante que se utilize bancadas com tampos reguláveis e não muito profundos, alturas fixas definidas conforme a limitação do usuário, prateleiras de apoio, piso regular, firme, estável, sem polimento e antiderrapante, utensílios de plástico ou silicone além de um carrinho para o transporte. No caso dos eletrodomésticos é interessante que fiquem em locais baixos para facilitar sua retirada de manuseio e, além da instalação de sensores de gás e fumaça.

No segundo caso, a privacidade e independência são elementos cruciais. Entretanto, não podemos esquecer dos momentos em que os idosos podem necessitar de ajuda e para tal o espaço deve ser grande o suficiente para ser utilizado por cadeirantes ou permitir que o idoso tenha o auxílio simultâneo de duas pessoas.

Outro item essencial é a abertura das portas no sentido da fuga. O vaso sanitário com altura de 0,50m do piso e abertura frontal facilita a utilização e a válvula de descarga deve estar a uma altura de 1,00m e ser acionado com uma leve pressão. As barras de apoio devem estar sempre presentes para que o idoso não se apóie em objetos e devem ser agradáveis ao tato.


Resumo da monografia defendida em maio de 2006.

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