terça-feira, 3 de março de 2009

QUARTOS ESPECIAIS

GABRIELA BRETTO

Existem no Brasil cerca de 27 milhões de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, isso corresponde a 15% da população (IBGE, 2008). A ergonomia de interiores, como já citado, vem engatinhado no país, A ABNT NBR 9050 foi elaborada no Comitê Brasileiro de Acessibilidade (ABNT/CB–40), pela Comissão de Edificações e Meio (CE–40:001.01) e serve de regulamentação para a universalização de prédios públicos e áreas de grande circulação de pessoas, como as portarias e garagens de edifícios. Algumas leis de inclusão de deficientes tanto nas escolas como em postos de trabalho vem criando independência financeira para o deficiente. Com isso está surgindo um novo mercado consumidor, este mercado está buscando cada vez mais produtos e serviço voltados para as suas necessidades, como se observa na opinião a seguir:
“Eu acho que faltam produtos, não só do ponto de vista da arquitetura, mas mobiliário, pois o deficiente não quer ficar só na cadeira de rodas, ele quer ser transferido para um lugar confortável. Tenho certeza que há mercado para consumir este tipo de produto”. - Ricardo, engenheiro civil – cadeirante (Revista PEGN).
Um reflexo disto pode ser observado na criação de leis que garantem o consumo, por exemplo, de diárias de hotel e motel, através do Projeto 640:2003 em que 2% dos quartos de hotéis no Brasil devem estar adaptados para deficientes e a Lei 3.298/DF que além de ampliar essa percentagem para 4% das acomodações de hotéis estende esse número para os motéis.
Mas a adaptação de casas aos deficientes ainda é feita de forma quase empírica, não existem manuais e a maioria das pessoas utilizam a NBR 9050 como base e fazem adaptações conforme a própria vivência com a enfermidade de forma que não há hoje formação profissional que atenda a este grupo. Mas alguns conhecimentos básicos podem ajudar na hora em que o Designer se deparar com o desafio de ambientar um quarto para um portador de necessidades especiais, classificados conforme a deficiência.

1 Deficientes motores
O projeto de quarto de um deficiente motor deve ter pelo menos um espaço de 1,50 x 1,20m para que seja possível retornar com a cadeira de rodas ou andador (180º) o ideal é que seja possível realizar uma rotação em 360º, para isso deve-se dispor de uma área de 1,50 m de diâmetro. A Cama deve estar à mesma altura do acento da cadeira de rodas ou muito próxima, de forma que exija menos esforço muscular dos braços que já são sobrecarregados pelos movimentos de locomoção. Quando o orçamento permite pode-se optar por camas inclináveis que permitem uma melhor instalação e ajudam na transferência. Um interruptor ao lado da cama do tipo three-way é necessário para a maior comodidade ao acender e apagar a luz principal do quarto, outras fontes de luz como abajures devem ser usadas somente se estas permitirem o acionamento com certa facilidade. Aparelhos como ar-condicionados e televisores devem ter controle remoto.
Os armários mais indicados são aqueles que possuem portas de correr, caso o cadeirante more sozinho, será necessário dispor seus pertences até 1,20 m do chão. O uso de basculantes nos cabideiros pode ampliar está altura. A barras de segurança deverão seguir o padrão conforme a pegada do cliente elas variam entre 3,0 a 4,5cm de diâmetro para adultos e a partir de 2,5 cm para crianças.
2 Deficientes visuais
2.1 Totais
A forma de locomoção dos deficientes visuais totais em casa é pela contagem de passos, o Designer de dispor os móveis de forma a facilitar a circulação. Para evitar que o deficiente visual saia e deixe as luzes acessas podem ser adaptados avisos sonoros às luzes ou utilizar luzes com sensor de movimento e o piso com textura pode ser instalado ao redor de móveis e paredes para evitar colisões.
2.2 Parciais
Quando o deficiente visual enxerga parcialmente é preciso priorizar a claridade do quarto, para atenuar a dificuldade de ver os contornos pode ser explorado o contraste de cores como o preto e branco e não utilizar cores com tonalidades próximas como os tons pastéis.

3 Deficientes auditivos
3.1 Totais
Ser surdo ou ouvir mal causa desconforto, frustração e insegurança, a visão é, em certos aspectos, muito limitada para o individuo trocar informações com o meio. Para trazer conforto ao deficiente auditivo total o profissional tem que tentar alargar o campo visual. Isto é feito retirando paredes, colocando vidraças e espelhos, assim o deficiente pode saber o que se passa um pouco mais além. Como saber se está chovendo, o que os filhos estão fazendo, etc... As luzes do quarto precisar está em posição que diminua as sobras, principalmente nos rostos, por causa da leitura labial, por isso é recomendada a luz de baixo para cima também. O telefone deve ter um aviso luminoso quando tocar, ou pode-se utilizar uma ligação com a luz principal do ambiente de forma que ela pisque para que o deficiente saiba que o telefona esta tocando.
3.2 Parciais
Além dos cuidados já citados para deficientes auditivos totais. Deve-se pensar no conforto acústico, pois, na maioria das vezes, ruídos externos dificultam o entendimento e causam um enorme desconforto para o deficiente. Uma alternativa para lugares muito barulhentos são quarto com isolamento acústico.

4 Deficientes cognitivos

Como são inúmeras as deficiências deste tipo e todas de alguma forma se parecem, mas ainda assim não podem ser enquadradas no mesmo grupo, somente algumas colocações sobre as mais comuns serão abordadas. Antes, no entanto, vale ressaltar, que nos casos de deficiência cognitiva, assim como nas demais é importante uma entrevista com os profissionais de saúde que acompanham o cliente, de forma a planejar melhor o quarto, condizente com o trabalho desenvolvido com o deficiente e visando a sal máxima satisfação e conforto.
4.1 Autismo
Ao projetar um quarto para um autista é necessário saber que normalmente eles têm dificuldade de adaptação, eles precisam ter uma rotina e necessitam de quartos pequenos e visualmente limpos. Nos casos em que essas pessoas precisem realizar outras tarefas o ideal é sugerir a separação de ambientes – quarto para dormir, closet para vestir, ambiente de brincar, se for criança, ambiente de estudo ou trabalho se ele executa alguma dessas atividades. Se isto não for possível pode-se sugerir a utilização de divisórias no ambiente se o espaço permitir para tentar isolar visualmente as áreas, já que a cama pode fazer com que ele perca o interesse em outras atividades e vice-versa.
4.1 Síndrome de Dow
O adulto Dow apesar do déficit de aprendizagem leva uma vida doméstica quase normal. Como ele aprende por repetição a maioria dos Dows não necessita de muitas adaptações. Há que se considerar apenas os problemas de saúde paralelos como a apnéia do sono que influencia na escolha do colchão e do travesseiro. Como seu desenvolvimento é mais lento é necessário que o quarto seja também um ambiente estimulante, mesmo quando adulto pois eles tendem a se deprimir com mais facilidade. Cada caso deve ser sempre visto como único, pois nenhuma deficiência produz indivíduos iguais. Como as pessoas consideradas padrão o deficiente também gosta da sua individualidade e tem necessidades que lhe são próprias e particulares.

5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Sites:

PROJETO APROVADO OBRIGA HOTEL A TER QUARTO PARA DEFICIENTE http://www.nppd.ms.gov.br/noticia.asp?not_id=251

Lei garante acesso de deficiente a motel http://sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=53401


CASAS ADAPTADAS
http://pegntv.globo.com/Pegn/0,6993,LIR264807-5027,00.html

A LHerzog participa da edição 2007 do maior evento de Decoração e Design da América Latina, o Casa Hotel - WTC design floor by Casa Cor
site www.casahotel.com.br

Livros e documentos:

ABNT NBR 9050:2004. Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 97 p.

DOMAN, GLENN O que fazer pela criança de cérebro lesado. Rio de Janeiro, Auriverde. 1989 393p.

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